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Por que algumas coisas são tão difíceis de deixar para trás?

jfredericci
25 de set.
2 min de leitura

Perder faz parte da vida. Ainda assim, algumas perdas parecem durar muito além do acontecimento que as provocou.


Isso acontece porque nem sempre apenas uma pessoa, uma relação ou uma situação concreta. Podemos precisar abrir mão também daquilo que imaginávamos que um dia aconteceria.


Às vezes, uma relação terminou, mas permanece a esperança de que aquela pessoa finalmente reconheça nosso valor. Em outras situações, o que continua vivo é a expectativa de receber dos pais um reconhecimento que nunca veio ou de alcançar uma versão idealizada de nós mesmos.


É possível continuar profundamente ligado a algo que, na realidade, já acabou. E também a algo que talvez nunca tenha existido da maneira como desejávamos.

Para a psicanálise, essa diferença é importante.


Há um investimento afetivo nas pessoas, nos projetos e nas ideias que construímos sobre a própria vida. Quando alguma dessas referências se perde, elaborar essa perda exige um trabalho psíquico. Aos poucos, aquilo que estava tão ligado ao que se perdeu pode encontrar outros destinos.


O problema aparece quando abandonar determinada expectativa parece insuportável.

Uma pessoa pode passar anos esperando que alguém mude. Pode continuar tentando conquistar um amor que nunca se oferece por inteiro. Pode viver sob a obrigação de ser perfeita, indispensável, admirada ou capaz de controlar tudo.


Nesses casos, abrir mão envolve mais do que aceitar uma realidade desagradável. Também significa perder uma maneira conhecida de se enxergar.


Se durante muito tempo alguém construiu sua identidade em torno de ser aquela que cuida de todos, por exemplo, deixar esse lugar pode produzir uma pergunta difícil: quem sou eu quando não preciso mais ser indispensável?


É por isso que certas fantasias permanecem mesmo quando já provocam sofrimento. Elas continuam oferecendo alguma organização para a vida.


Uma análise pode ajudar a reconhecer esses investimentos e compreender o que está sendo sustentado através deles. Em alguns momentos, percebemos que estamos esperando de uma pessoa aquilo que ela nunca pôde oferecer. Em outros, descobrimos que continuamos tentando realizar uma imagem de quem acreditávamos que deveríamos ser.


Elaborar uma perda passa também por poder renunciar a algumas dessas expectativas.

Essa renúncia pode doer, porque envolve aceitar limites, ausências e impossibilidades. Ao mesmo tempo, quando parte da energia antes dedicada a sustentar uma fantasia deixa de ficar presa a ela, outras possibilidades começam a aparecer.


Talvez algumas perdas sejam tão difíceis justamente porque carregam consigo uma promessa.


A promessa de que um dia seremos finalmente escolhidos. Reconhecidos. Completos. Ou de que a vida ainda corresponderá exatamente ao que imaginávamos.

Em determinados momentos, seguir adiante exige conseguir perder também essa promessa.

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